6/11/2007

Os BRICs


BRIC é um acrónimo inventado pelo banco noviorquino Goldman Sachs para designar os quatro principais países emergentes do mundo, a saber: Brasil, Russia, India e China. O termo surgiu depois de tratados de cooperação e comércio assinados em 2002. Usando as últimas projecções demográficas e modelos de acumulação de capital e crescimento de produtividade, o grupo Goldman Sachs mapeou as economias dos países BRICs até 2050. Especiaistas de alta-finança dizem que esses países vão tornar-se a maior força na economia mundial.

Dentro dos BRICs há uma clara divisão de funções. Ao Brasil e à Rússia cabe o papel de produtor de alimentos e produtor de combustível respectivamente. Ambos serão também os fornecedores de matéria prima. Os negócios de serviços e de manufactura estarão principalmente localizados na Índia e China, devido à concentração de mão-de-obra naquele e tecnologia neste.

O Brasil desempenhará o papel de país exportador agropecuário, tendo como principais produtos a soja e a carne de vaca. Dentro de 40 anos, o Brasil terá capacidade para alimentar mais de 40% da população mundial. A cana-de-açúcar também desempenhará papel fundamental na produção de combustíveis renováveis e ecologicamente equilibrados, como o álcool e o biodiesel. Apesar deste potencial agrário, papel mais importante do Brasil estará em suas reservas naturais de água, as maiores do mundo, que em breve ocuparão o lugar do petróleo na lista de desejos dos líderes políticos de todos os países. O Brasil ficará em 5º lugar no ranking das maiores economias do mundo em 2050.

A Rússia desempenhará um papel parecido ao do Brasil, fornecendo matéria-prima e abastecerá a mais de 50% da população dos BRICs com sua grande produção agropecuária devido à extensão do seu território. Da Russia, será determinante a exportação de mão-de-obra altamente qualificada e tecnologia de ponta herdadas da Guerra Fria. A riqueza mineral russa basta para produzir mais de 60% das necessidades do mercado mundial.

A Índia terá a maior média de crescimento entre os BRICs e estima-se que em 2050 esteja no 3º lugar no ranking das economias mundiais, atrás apenas de China (em 1º) e EUA (em 2º). Com sua grande população, uma grande parte da industria mundial ficara situada neste país. A India é já um dos países com maiores investimentos na formação de sua população.

Estima-se que a China seja em 2050 a maior economia mundial, tendo como base seu acelerado crescimento económico sustentado durante todo início do século XXI. Terá grande concentração de indústria devido à sua população e tecnologia. Também com grande poderio militar.

Em menos de 40 anos as economias BRICs juntas poderão ser maiores que o Grupo dos Seis G6 (Estados Unidos da América, Japão, Inglaterra, Alemanha, França e Itália). O estudo assinado pelo Goldman Sachs ressalta que se os BRICs chegarem, pelo menos próximos das previsões mais pessimistas haverá fortes modificações na economia mundial, principalmente ao nível dos modelos de desenvolvimento.

A importância relativa dos BRICs vai mudar mais sensível e rapidamente do que se imagina a economia mundial. O grupo possuirá mais de 40% da população mundial e juntos terão um PIB de mais de 85 trilhões de dólares (US$). Esses quatro países não formam um bloco político (como a União Europeia), nem uma aliança de comércio formal (como o Mercosul e ALCA) e muito menos uma aliança militar (como a OTAN), mas formam uma aliança através de vários tratados de comércio e cooperação assinados em 2002 que permite acelerar os seus crescimentos.

Interessante é verificar que nos quatro BRICs, tanto a China como a Rússia devem a sua industrialização a uma organização económica planificada de modelo marxista. A Índia optou desde a sua independência por um modelo misto de economia planificada, politicamente nunca esteve alinhada mas organizou-se com forte pendor socializante. O Brasil que se manteve até há bem pouco tempo nas margens do subdesenvolvimento, emerge no inicio do século XXI a virar claramente à esquerda....

Em comum estas economias, tem uma rejeição completa dos modelos capitalistas de desenvolvimento. O neo-liberalismo não foi um dos caminhos para a formação dos BRICs. Claro que o Banco Goldman Sachs que é um dos mais antigos e prestigiosos bancos de investimento do mundo não fala nunca neste característica.

1 Bocas:

At 4:42 da tarde Blogger pinhacolada said...

Entre 31 maio e 1 junho, realizou-se num hotel em Istambul reunião do Clube Bilderberg. Tugas presentes: Barroso e BAlsemão. Partidos não representados, quer dizer que Sócrates é para continuar, é o seu homem. Os media e políticos lacaios vão começar a falar novamente numa constituição europeia, mais simplificada e blá, blá, blá...que é muito bom para os povos...tudo tretas! E flexitrabalho e afins.Não vão nessa vanessas!! Eles querem moedas únicas e já se viu no que isso deu em Portugal. Andamos a sustentar o dólar e os banqueiros traficantes de droga que fazem lavagem em Wall Street.Todos representados na reunião

 

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